O FUTURO PRESENTE. 2ª NOITE DA ABEDESIGN+CE / by Carta&Carta

 

Como os designers enxergam o futuro? Como podemos reagir a velocidade que gera constantes disrupções em linhas de pensamentos, empresas e inovações?  Em sua segunda noite, a 6ª Edição da Abedesign+CE contou com a participação de Allyson Reis (Abracadabra), Marco Mendonça (Guash Arts) e Jaakko Tammela (Questto|Nó), e em cada uma de suas falas encontramos um universo de referências pessoais construídas ao longo de suas carreiras. Mais do que isso, uma percepção sobre a construção de um futuro-presente que converge para um mesmo ponto: o humano. A inovação que percebe o ‘toque’ e os processos manuais como o novo, nos coloca diante de uma economia que não responde mais à construções rasas. Na verdade, a chamada economia da experiência entende que o valor “é o que fica na memória”. Reencontramos unidades básicas para dar conta de um mundo complexo que tem a tecnologia como mediadora de nossas experiências e que, ao se aprofundar, busca paradoxalmente referências no mundo real. De forma que as respostas dadas pelos designers aos seus clientes parecem estar “aprisionadas em uma ficção que não corresponde à realidade existente” (Jan van Toor, 1994). Não por falta de empenho desses profissionais, mas pela possível construção atrasada de um cenário no mercado. Não por falta de empenho do mercado, mas por uma possível resposta atrasada da economia frente a questão apresentada pela inovação tecnológica. Para assegurar o investimento, asseguramos limites na inovação. Para assegurar a inovação, criamos limites para sua atuação. Para criar limites em sua atuação, a reposta dos designers costuma ser lapidada numa mediação constante entre o cliente e o projeto. 

 

A orientação social da nossa atuação enquanto designers já não é mais tão simples assim. parecemos estar bastante satisfeitos em ganhar a vida com uma liberdade cega, o que levou à vulgarização e à simplificação das nossas tradições críticas e reflexivas. — Jan van Toor


Aqui então a importância da formação e o enriquecimento de uma postura mais reflexiva e crítica por parte dos criativos. Espaços e momentos como este, vividos na última noite, são sempre necessários para a construção de um presente mais preparado para o futuro. Futuro que já nos coloca em constante atraso para dar respostas. Se o processo se volta agora para o homem, para o emocional e para as experiências, precisamos estar atentos aos “caminhos repisados”, nosso trabalho então “é uma luta contra a arquitetura sob forma de arquitetura” (Rem Koolhaas), é um trabalho de diálogo, de forma positiva e colaborativa, é a construção de uma confiança e a possibilidade de um processo mais partilhado e transparente.

O grande inimigo é sempre a ignorância, e as ideias preconceituosas que derivam de falta de exercício do pensamento. — Rafael Cardoso